Tratamento de Síndrome do Pânico em Campinas

Avaliação psiquiátrica criteriosa e abordagem baseada em evidências para o transtorno de pânico.

Atendimento para síndrome do pânico no Instituto MHS Campinas
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O que é síndrome do pânico

O Transtorno de Pânico, popularmente chamado de síndrome do pânico, é definido no DSM-5-TR (APA, 2022) e na CID-11 (OMS, 2022) pela ocorrência de ataques de pânico recorrentes e inesperados, seguidos por preocupação persistente em ter novos ataques, preocupação com as consequências dos ataques (perder o controle, ter um problema cardíaco, "enlouquecer") ou por mudança comportamental significativa relacionada aos ataques (como esquiva de situações associadas), por pelo menos um mês. O ataque de pânico, segundo o DSM-5-TR, é uma onda abrupta de medo intenso ou desconforto que atinge o pico em poucos minutos e durante a qual ocorrem quatro ou mais sintomas físicos e cognitivos definidos.

O DSM-5-TR distingue o transtorno de pânico (em que os ataques são recorrentes, inesperados e geram preocupação persistente ou esquiva) dos ataques de pânico isolados, que podem ocorrer no contexto de outros transtornos (transtorno de ansiedade social, fobias específicas, TEPT, depressão) ou em condições clínicas. A agorafobia, classificada separadamente no DSM-5-TR, frequentemente coocorre com o transtorno de pânico e envolve medo ou esquiva marcantes de duas ou mais situações (transporte público, espaços abertos, espaços fechados, multidões, estar fora de casa sozinho), nas quais a fuga ou ajuda seriam difíceis caso surgisse uma crise.

O transtorno de pânico tem prevalência ao longo da vida estimada em torno de 2% a 3%, com início mais frequente em adultos jovens, segundo dados epidemiológicos clássicos da literatura referenciados pela NICE CG113 (Generalised anxiety disorder and panic disorder in adults: management). Comorbidades são comuns: agorafobia, transtorno depressivo maior, outros transtornos de ansiedade, transtorno por uso de álcool, dor torácica não cardíaca e dispepsia funcional aparecem com frequência. Pelo perfil dos sintomas, muitos pacientes passam por avaliações cardiológicas, neurológicas e gastroenterológicas antes do diagnóstico psiquiátrico.

Modelos cognitivos clássicos do transtorno de pânico, amplamente referenciados pelas guidelines, descrevem o ciclo central do quadro: a interpretação catastrófica de sensações corporais ambíguas (taquicardia interpretada como infarto iminente, tontura como sinal de desmaio, alteração respiratória como sufocamento) ativa ainda mais o sistema autonômico e amplifica os próprios sintomas, formando uma alça de retroalimentação que sustenta a crise. Esse modelo embasa as intervenções psicoterápicas com maior evidência para o transtorno de pânico e ajuda a explicar por que abordagens centradas em compreender e reinterpretar essas sensações têm efeito sustentado. As informações desta página são educativas e não substituem avaliação por psiquiatra.

Sinais comuns que os pacientes relatam

A descrição típica é a de uma onda súbita de medo ou desconforto intenso, com pico em minutos e forte componente físico. O DSM-5-TR (APA, 2022) lista treze sintomas que podem compor um ataque de pânico, sendo necessária a presença de pelo menos quatro deles para caracterizar o episódio. Muitos pacientes procuram serviços de emergência durante a primeira crise por suspeita de evento cardiovascular.

  • Palpitações, taquicardia ou sensação de batimentos fortes.
  • Sudorese, tremores ou abalos.
  • Dispneia, sensação de sufocamento ou de não conseguir respirar.
  • Sensação de estar engasgando, dor ou desconforto torácico.
  • Náusea ou desconforto abdominal.
  • Tontura, instabilidade, sensação de cabeça leve ou de desmaio.
  • Calafrios ou ondas de calor; parestesias; desrealização ou despersonalização; medo de perder o controle ou de morrer.

Para configurar transtorno de pânico, os ataques precisam ser recorrentes e inesperados, e pelo menos um deles seguido por mais de um mês de preocupação persistente, preocupação com consequências ou mudança de comportamento relacionada (esquiva). Em parte significativa dos casos, surge agorafobia: medo de situações nas quais escapar seria difícil ou ajuda indisponível, com restrição importante da rotina (deixar de usar transporte público, evitar dirigir, não sair sozinho). O diagnóstico exige avaliação clínica que considere diagnósticos diferenciais (arritmias, hipertireoidismo, feocromocitoma, hipoglicemia, abstinência de álcool ou benzodiazepínicos, uso de cafeína em altas doses, uso de estimulantes), conforme orientado pelas diretrizes.

Quando procurar um psiquiatra

A diretriz NICE CG113 (NICE, 2011, atualizada) recomenda avaliação especializada quando há ataques de pânico recorrentes, preocupação persistente em ter novas crises, mudanças comportamentais relevantes para evitar situações temidas, prejuízo funcional significativo (no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos) ou comorbidades como depressão, uso problemático de álcool e ideação suicida. Avaliações cardiológicas e clínicas que descartem causas físicas para os sintomas são importantes, especialmente em primeiro episódio, em pacientes com fatores de risco cardiovascular ou em apresentações atípicas.

Sinais de gravidade que motivam encaminhamento mais rápido incluem agorafobia incapacitante (com restrição importante da rotina), ataques diários ou de alta frequência, ataques noturnos com despertar abrupto, esquiva crescente de ambientes ou atividades, depressão associada, ideação suicida, uso problemático de álcool ou benzodiazepínicos sem prescrição como tentativa de "controlar" as crises, e quadros que não respondem a intervenções iniciais.

A consulta com o psiquiatra serve para confirmar o diagnóstico, considerar diagnósticos diferenciais, mapear comorbidades e construir, junto com o paciente, um plano terapêutico baseado em evidências. O transtorno de pânico costuma responder bem a tratamentos estruturados, especialmente quando o cuidado começa cedo e inclui psicoterapia específica. A avaliação também investiga ativamente o uso de cafeína, energéticos, álcool, nicotina, anfetaminas e outros estimulantes, bem como possível abstinência de álcool ou benzodiazepínicos, fatores que podem desencadear ou amplificar crises. Em situação de risco (ideação suicida com plano ou intenção, sintomas graves), procurar imediatamente serviço de emergência, CAPS ou ligar para o CVV (188). Esta página é educativa e não substitui avaliação individual.

Como o Instituto MHS aborda a síndrome do pânico

No Instituto MHS, em Campinas, a avaliação de pacientes com suspeita ou diagnóstico de transtorno de pânico é feita em consulta psiquiátrica estendida. Dedicamos tempo à anamnese detalhada das crises (frequência, duração, sintomas predominantes, gatilhos identificáveis ou ausência deles), ao mapeamento de comportamentos de esquiva, à investigação de agorafobia, à revisão de exames realizados (cardiológicos, neurológicos, laboratoriais) e à identificação de comorbidades. Trabalhamos a partir do modelo biopsicossocial, em alinhamento com as recomendações da NICE CG113 e das diretrizes da APA e da WFSBP para transtornos de ansiedade e pânico.

A escuta ativa orienta a primeira consulta. Buscamos compreender o impacto do quadro sobre a rotina, o sentido que o paciente atribui aos sintomas, o medo das próprias sensações corporais (sensibilidade à ansiedade, fenômeno central no transtorno de pânico) e o histórico de tentativas terapêuticas. Quando indicado, utilizamos instrumentos clínicos validados para gradação de gravidade e monitoramento longitudinal de resposta (measurement-based care).

O modelo é multidisciplinar. Conforme a apresentação, a condução integra psiquiatria, psicologia (com profissionais com formação em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Terapia Comportamental Dialética), neuropsicologia e, em situações específicas, neurologia, endocrinologia e nutrologia. Essa integração é importante porque o transtorno de pânico costuma estar associado a sintomas físicos relevantes, comorbidades clínicas e a uso de cafeína e estimulantes que podem agravar o quadro.

A supervisão clínica entre psiquiatras do instituto compõe o método. Casos com sintomas graves, agorafobia importante, comorbidades múltiplas ou resposta parcial a tratamentos prévios são discutidos em pares, prática que favorece decisões mais cuidadosas, especialmente no manejo medicamentoso e no planejamento da exposição psicoterápica gradual a situações temidas. O acompanhamento próximo entre consultas, com canal de contato dedicado, permite ajustes ágeis e suporte em momentos de crise. O Instituto MHS fica na Avenida Machado de Assis, 27 - Parque Taquaral, Campinas, com fácil acesso e estrutura preparada para receber pacientes da cidade e da Região Metropolitana.

Tratamento e acompanhamento

As principais diretrizes (NICE CG113; APA Practice Guideline for the Treatment of Patients with Panic Disorder; WFSBP Guidelines for the Pharmacological Treatment of Anxiety Disorders) descrevem o tratamento do transtorno de pânico em duas linhas principais com evidência consolidada, frequentemente combinadas: psicoterapia estruturada e tratamento farmacológico. A escolha leva em conta a intensidade do quadro, a presença de agorafobia, comorbidades, histórico de respostas anteriores e preferências do paciente.

A psicoterapia com maior corpo de evidência para o transtorno de pânico é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) com protocolo específico. O trabalho inclui psicoeducação sobre os mecanismos do pânico, identificação e reestruturação de interpretações catastróficas das sensações corporais (como interpretar taquicardia como sinal de infarto), exposição interoceptiva (exposição gradual às próprias sensações físicas) e exposição in vivo a situações evitadas, especialmente nos quadros com agorafobia. Em apresentações com disrregulação emocional importante, abordagens complementares como a Terapia Comportamental Dialética podem compor o plano.

O tratamento farmacológico, quando indicado pelo psiquiatra após avaliação individualizada, costuma envolver classes de antidepressivos com indicação específica para o pânico, conforme as guidelines. O uso de benzodiazepínicos é discutido com cautela, dada a possibilidade de tolerância e dependência, e segue critérios de indicação restrita e tempo definido descritos pelas diretrizes. O acompanhamento envolve revisão periódica da resposta, ajustes de dose, monitoramento de efeitos adversos e definição conjunta do tempo de manutenção. Após resposta clínica, recomenda-se manutenção por meses, com revisão estruturada antes de qualquer plano de retirada gradual.

Mudanças de hábitos compõem o plano: regularização do sono, atividade física regular, redução marcada de cafeína e álcool (gatilhos frequentes), técnicas de manejo de estresse e psicoeducação sobre hiperventilação. O monitoramento envolve avaliação periódica de frequência e intensidade das crises, esquiva, funcionamento, efeitos adversos e adesão. O objetivo é reduzir a frequência e a intensidade dos ataques, eliminar evitamentos e devolver autonomia ao paciente. Esta página é educativa: nenhuma decisão sobre uso, troca ou suspensão de medicação deve ser tomada sem avaliação presencial com médico responsável.

Mitos e fatos sobre síndrome do pânico

Mito: ataque de pânico pode causar infarto. Fato: o ataque de pânico, embora muito desconfortável, não causa infarto em si. Os sintomas têm origem em ativação autonômica intensa. Ainda assim, o primeiro episódio sempre justifica avaliação clínica para excluir causas cardiovasculares, conforme orientado pela NICE CG113.

Mito: quem tem pânico está prestes a "enlouquecer". Fato: o transtorno de pânico não evolui para psicose. Os sintomas de "perder o controle" e "irrealidade" descritos no DSM-5-TR (APA, 2022) são fenômenos próprios da ativação ansiosa e cedem com o término do ataque.

Mito: evitar lugares que provocam crise é a melhor proteção. Fato: a esquiva é exatamente o mecanismo central que mantém e amplia a agorafobia. As guidelines (NICE CG113; APA) recomendam exposição estruturada como parte central do tratamento.

Mito: pânico precisa só de calmante. Fato: as diretrizes recomendam psicoterapia estruturada (TCC) e antidepressivos como linhas principais. Benzodiazepínicos têm uso restrito e não tratam o mecanismo central do transtorno.

Mito: pânico é fraqueza emocional. Fato: trata-se de transtorno clínico definido em DSM-5-TR e CID-11, com base neurobiológica e psicológica reconhecida e tratamento com evidência consolidada.

Referências

American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th ed., Text Revision (DSM-5-TR). Washington, DC: APA, 2022.

World Health Organization. ICD-11 for Mortality and Morbidity Statistics. Genebra: OMS, 2022.

National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Generalised anxiety disorder and panic disorder in adults: management. NICE Guideline CG113. Londres: NICE.

World Health Organization. World Mental Health Report: Transforming mental health for all. Genebra: OMS, 2022.

American Psychiatric Association. Practice Guideline for the Treatment of Patients with Panic Disorder. Washington, DC: APA.

World Federation of Societies of Biological Psychiatry (WFSBP). Guidelines for the Pharmacological Treatment of Anxiety Disorders.

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Perguntas frequentes sobre síndrome do pânico

Revisado por:Dr. Leandro Simões Abrão · Médico Psiquiatra · CRM 182.642 · RQE 91133 · Diretor Clínico do Instituto MHS

Última atualização: 27 de abril de 2026

As informações desta página têm caráter educativo. Sempre consulte um profissional de saúde antes de iniciar qualquer tratamento.