Acatisia é a sensação de inquietação interna, com vontade intensa de se mexer, que muitas pessoas descrevem como impossibilidade de ficar parada.1 O termo vem do grego e significa, literalmente, "não conseguir sentar"2.
O que pode ser acatisia?
Acatisia é um distúrbio do movimento que afeta o tronco e os membros, marcado por inquietação que a pessoa sente e que, muitas vezes, outros conseguem ver.2 Os sinais incluem balançar o corpo, bater as pernas, mexer-se continuamente ou não conseguir ficar sentado ou em pé sem se movimentar.2
Na forma mais leve, a pessoa sente a inquietação interna sem que os movimentos sejam óbvios para quem olha.2 Já em casos mais intensos, a sensação de urgência para se mexer é clara. A pessoa faz movimentos repetitivos, como cruzar e descruzar as pernas, balançar de um pé para o outro ou andar de um lado para o outro.4
Acatisia pode surgir em pessoas que tomam certos remédios, como alguns antipsicóticos e antieméticos.5 Também está descrita em pessoas com transtorno bipolar que usam antidepressivos.4
Em alguns casos, a acatisia aparece junto com outros transtornos do movimento induzidos por remédios, como a discinesia tardiva.5 A discinesia tardiva é marcada por movimentos involuntários persistentes da boca, mandíbula, língua, face, tronco ou extremidades.5
O que é esperado e o que merece investigação?
A diferença da acatisia é a intensidade, a persistência e a relação com o uso de medicamentos. A sensação costuma ser descrita como desconfortável, interna, que só alivia com o movimento.
Acatisia que surge pouco tempo depois de começar ou aumentar a dose de um remédio precisa de atenção. O mesmo vale quando a inquietação interfere na capacidade de ficar parado para trabalhar, estudar ou descansar.
Atenção: acatisia intensa e sem tratamento pode aumentar o risco de pensamentos suicidas, agressividade e abandono do tratamento.2 Por isso, relatar esses sintomas ao médico é importante.
A relação entre acatisia induzida por antipsicóticos e comportamento suicida ainda não tem resposta clara na literatura médica.6 A revisão destaca a falta de estudos robustos sobre o tema e a preocupação de que esse efeito colateral possa estar subdiagnosticado.6
Quais as causas possíveis?
A acatisia está, na maioria das vezes, associada ao uso de medicamentos. Os antipsicóticos, tanto de primeira quanto de segunda geração, podem desencadear o sintoma.4
Alguns fatores aumentam o risco: idade mais jovem, sexo masculino, uso de outras substâncias junto com o remédio, antipsicóticos de alta potência, aumento rápido da dose e uso de mais de um antipsicótico ao mesmo tempo.7
Como é investigada a acatisia?
O diagnóstico de acatisia é clínico. Não existe exame de sangue, imagem ou teste que confirme o quadro. O médico ouve o relato da pessoa sobre a sensação de inquietação e observa se há movimentos excessivos, como mexer as pernas, balançar o corpo ou não conseguir permanecer sentado ou em pé.2
Na prática, o médico pode usar questionários com critérios padronizados para avaliar a intensidade dos sintomas e acompanhar se estão melhorando ou piorando.2
Quando a acatisia é suspeita, o médico também avalia se há outros transtornos do movimento, como parkinsonismo induzido por medicamentos.5 A investigação pode incluir revisão dos medicamentos em uso, dose e tempo de tratamento.
Quando buscar avaliação
Procure o médico que prescreveu o remédio se você sentir inquietação interna intensa, vontade irresistível de se mexer ou dificuldade de ficar parado após começar ou aumentar a dose de um medicamento. O mesmo vale se esses sintomas interferirem no sono, no trabalho ou nas relações.
Se houver pensamentos de morte ou de se machucar, busque atendimento imediato no pronto-socorro mais próximo. Não espere consulta marcada.
Perguntas frequentes sobre o que é acatisia
Acatisia tem cura?
A primeira medida é avaliar o medicamento que pode estar causando o sintoma. O médico pode reduzir a dose, trocar o remédio ou indicar outras estratégias. Nunca faça essas mudanças por conta própria.
Quanto tempo dura a acatisia?
A acatisia aguda costuma aparecer nos primeiros dias ou semanas após começar ou aumentar a dose de um medicamento. A forma tardiva costuma surgir depois de alguns meses de uso e pode durar anos.2 O tempo de resolução depende da causa e do que é feito para tratá-la.
Qual a diferença entre acatisia e ansiedade?
Ambas trazem sensação de inquietação, mas a acatisia tem um componente motor forte: a urgência de se mexer para aliviar o desconforto interno. Na ansiedade, a agitação é mais mental, com preocupações e tensão, embora também possa haver sintomas físicos. O médico diferencia pelos detalhes do relato e pela observação dos movimentos.
Acatisia é perigosa?
Quando a acatisia é grave e não é tratada, a inquietação intensa pode vir acompanhada de agressividade ou de pensamentos suicidas.2 Por isso, relatar os sintomas ao médico é essencial para que a causa seja investigada.
Posso tratar acatisia com remédios caseiros?
Não existe tratamento caseiro para acatisia. Em estudos com acatisia causada por antipsicóticos, a vitamina B6 em dose alta teve bom perfil de eficácia e tolerância.8 Mesmo assim, não tome por conta própria: o médico decide se ela serve para você e em qual dose. A decisão sobre o que fazer, incluindo ajustes na medicação que causou o sintoma, cabe ao profissional que acompanha o caso.
Acatisia só acontece com antipsicóticos?
Não. Embora seja mais conhecida como efeito de antipsicóticos, a acatisia também pode aparecer com antidepressivos, especialmente em pessoas com transtorno bipolar4, e com outros medicamentos que agem no sistema nervoso. O médico avalia todas as possibilidades.
Se você sente inquietação interna que não passa, vontade intensa de se mexer ou dificuldade de ficar parado desde que começou um remédio, não ignore. Esses sintomas têm nome, podem ser reconhecidos e merecem atenção médica. O primeiro passo é conversar com quem prescreveu o medicamento.
Leia também: conheça o trabalho do Dr. Leandro Simões Abrão em psiquiatria.
As informações contidas neste texto têm caráter estritamente educativo. O treinamento clínico e a experiência de um profissional são necessários para aplicar critérios diagnósticos e diferenciar transtornos de variações normais. Nunca utilize essas informações para autodiagnóstico ou automedicação. Consulte sempre um médico ou um profissional de saúde qualificado.
Referências
Manuais e diretrizes
- American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th ed., text revision (DSM-5-TR). Washington, DC: American Psychiatric Association Publishing; 2022.
Artigos de revisão recentes
- Hauser, Meyer, Factor et al. Differentiating tardive dyskinesia: a video-based review of antipsychotic-induced movement disorders in clinical practice. CNS spectrums. 2022. PMID: 33213556. DOI: 10.1017/s109285292000200x.
- Kalniunas, Chakrabarti, Mandalia et al. The Relationship Between Antipsychotic-Induced Akathisia and Suicidal Behaviour: A Systematic Review. Neuropsychiatric disease and treatment. 2021. PMID: 34887662. DOI: 10.2147/ndt.s337785.
- Gerolymos, Barazer, Yon et al. Drug Efficacy in the Treatment of Antipsychotic-Induced Akathisia: A Systematic Review and Network Meta-Analysis. JAMA network open. 2024. PMID: 38451521. DOI: 10.1001/jamanetworkopen.2024.1527.
Demais estudos
- OPAS/OMS MI-mhGAP Manual de Intervenções 2.0 (2018): Glossário. 2018. Disponível em: https://iris.paho.org/handle/10665.2/49096#glossario
- Thippaiah, Fargason, Birur. Struggling to find Effective Pharmacologic Options for Akathisia? B-CALM!. Psychopharmacology bulletin. 2021. PMID: 34421146. DOI: 10.64719/pb.4411.
- Salem, Nagpal, Pigott et al. Revisiting Antipsychotic-induced Akathisia: Current Issues and Prospective Challenges. Current neuropharmacology. 2017. PMID: 27928948. DOI: 10.2174/1570159x14666161208153644.
- Musco, McAllister, Caudle. Dopamine-receptor blocking agent-associated akathisia: a summary of current understanding and proposal for a rational approach to treatment. Therapeutic advances in psychopharmacology. 2020. PMID: 32922732. DOI: 10.1177/2045125320937575.


