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O que é acatisia: entenda a sensação de inquietação que pede movimento

Acatisia o que é: entenda a sensação de inquietação interna que pede movimento, suas causas e como reconhecer os sinais.

Ilustração de um homem que acabou de se levantar do sofá, inquieto, com linhas verde-água em zigue-zague em volta das pernas

Em resumo

  • Acatisia é uma sensação subjetiva de agitação, muitas vezes com movimentos visíveis nas pernas ou no corpo.
  • Pode aparecer como efeito de medicamentos que agem no sistema nervoso, especialmente alguns remédios para depressão e psicose.
  • O diagnóstico é clínico: o médico reconhece pelo relato da pessoa e pela observação dos movimentos.[3]
  • Quando identificada, a causa precisa ser avaliada para definir o que fazer.
  • Nunca pare ou mude a dose de remédio por conta própria: converse com quem prescreveu.
Neste artigo
  1. O que pode ser acatisia?
  2. O que é esperado e o que merece investigação?
  3. Quais as causas possíveis?
  4. Como é investigada a acatisia?
  5. Perguntas frequentes sobre o que é acatisia

Acatisia é uma sensação de inquietação interna, acompanhada de uma vontade intensa de se mexer, que muitos pacientes descrevem como a impossibilidade de ficar parado.[1] O termo vem do grego e significa, literalmente, "não conseguir sentar"[2].

O que pode ser acatisia?

A acatisia é um distúrbio do movimento que afeta o tronco e os membros, caracterizado por uma inquietação que o indivíduo sente por dentro e que, muitas vezes, as pessoas ao redor também conseguem perceber.[2] O quadro se manifesta por sinais como balançar o corpo, bater as pernas, mexer-se continuamente ou não conseguir ficar sentado ou em pé sem se movimentar.[2]

Na forma mais leve, o paciente sente a inquietação interna sem que os movimentos fiquem evidentes para quem observa.[2] Nos casos mais intensos, no entanto, a sensação de urgência para se mexer é clara. A pessoa realiza movimentos repetitivos, como cruzar e descruzar as pernas, balançar o peso de um pé para o outro ou andar de um lado para o outro.[4]

A acatisia pode surgir em pessoas que utilizam determinados medicamentos, como alguns antipsicóticos e antieméticos (remédios contra náusea e vômito).[5] Também está descrita em pacientes com transtorno afetivo bipolar que fazem uso de antidepressivos.[4]

Em alguns casos, a acatisia aparece junto com outros transtornos do movimento induzidos por medicamentos, como a discinesia tardiva.[5] A discinesia tardiva se caracteriza por movimentos involuntários persistentes da boca, mandíbula, língua, face, tronco ou extremidades.[5]

O que é esperado e o que merece investigação?

O que diferencia a acatisia é a intensidade, a persistência e a relação com o uso de medicamentos. O paciente costuma descrever uma sensação desconfortável, interna, que só alivia com o movimento.

Na prática clínica, a acatisia que surge pouco tempo depois de iniciar ou aumentar a dose de um medicamento merece atenção. O mesmo vale quando a inquietação interfere significativamente na capacidade de ficar parado para trabalhar, estudar ou descansar.

Atenção: a acatisia intensa e sem tratamento pode aumentar o risco de pensamentos suicidas, agressividade e abandono do tratamento.[2] Por isso, sempre reforço que é importante relatar esses sintomas ao médico.

A relação entre a acatisia induzida por antipsicóticos e o comportamento suicida ainda não tem uma resposta clara na literatura médica.[6] A revisão destaca a falta de estudos robustos sobre o tema e a preocupação de que esse efeito colateral possa estar subdiagnosticado, ou seja, presente sem ser reconhecido.[6]

Quais as causas possíveis?

Na maioria das vezes, a acatisia está associada ao uso de medicamentos. Os antipsicóticos, tanto os de primeira quanto os de segunda geração, podem desencadear o quadro.[4]

Alguns fatores aumentam o risco: idade mais jovem, sexo masculino, uso de outras substâncias junto com o medicamento, antipsicóticos de alta potência, aumento rápido da dose e uso de mais de um antipsicótico ao mesmo tempo.[7]

Como é investigada a acatisia?

O diagnóstico de acatisia é clínico, ou seja, não existe exame de sangue, de imagem ou teste que confirme o quadro. Na consulta, ouvimos o relato do paciente sobre a sensação de inquietação e observamos se há movimentos excessivos, como mexer as pernas, balançar o corpo ou não conseguir permanecer sentado ou em pé.[2]

Na prática clínica, podemos utilizar questionários com critérios padronizados para avaliar a intensidade dos sintomas e acompanhar se o quadro está melhorando ou piorando.[2]

Quando há suspeita de acatisia, também avaliamos se existem outros transtornos do movimento, como o parkinsonismo induzido por medicamentos.[5] A investigação pode incluir a revisão dos medicamentos em uso, da dose e do tempo de tratamento.

Quando buscar avaliação

Procure o médico que prescreveu o remédio se você sentir inquietação interna intensa, vontade irresistível de se mexer ou dificuldade de ficar parado após começar ou aumentar a dose de um medicamento. O mesmo vale se esses sintomas interferirem no sono, no trabalho ou nas relações.

Se houver pensamentos de morte ou de se machucar, busque atendimento imediato no pronto-socorro mais próximo. Não espere a consulta marcada.

Infográfico sobre a acatisia, não conseguir ficar parado. Como se manifesta: inquietação interna, balançar o corpo, cruzar e descruzar as pernas, passar o peso de um pé para o outro e andar de um lado para o outro. A causa mais comum são medicamentos: alguns antipsicóticos, alguns antieméticos, que são remédios contra náusea e vômito, e antidepressivos no transtorno afetivo bipolar. O que aumenta o risco: aumento rápido da dose, mais de um antipsicótico ao mesmo tempo, antipsicóticos de alta potência e idade mais jovem. Inquietação depois de iniciar ou aumentar um remédio: procure o médico que prescreveu. Pensamentos de morte ou de se machucar: pronto-socorro imediatamente.
Toque na imagem para ampliar.

Perguntas frequentes sobre o que é acatisia

Acatisia tem cura?

A primeira medida é avaliar o medicamento que pode estar causando o sintoma. O médico pode reduzir a dose, trocar o remédio ou indicar outras estratégias. Nunca faça essas mudanças por conta própria.

Quanto tempo dura a acatisia?

A acatisia aguda costuma aparecer nos primeiros dias ou semanas após começar ou aumentar a dose de um medicamento. A forma tardiva costuma surgir depois de alguns meses de uso e pode durar anos.[2] O tempo de resolução depende da causa e do que é feito para tratá-la.

Qual a diferença entre acatisia e ansiedade?

Ambas trazem sensação de inquietação, mas a acatisia tem um componente motor forte: a urgência de se mexer para aliviar o desconforto interno. Na ansiedade, a agitação é mais mental, com preocupações e tensão, embora também possa haver sintomas físicos. O médico diferencia pelos detalhes do relato e pela observação dos movimentos.

Acatisia é perigosa?

Quando a acatisia é grave e não é tratada, a inquietação intensa pode vir acompanhada de agressividade ou de pensamentos suicidas.[2] Por isso, relatar os sintomas ao médico é essencial para que a causa seja investigada.

Posso tratar acatisia com remédios caseiros?

Não existe tratamento caseiro para acatisia. Em estudos com acatisia causada por antipsicóticos, a vitamina B6 em dose alta teve bom perfil de eficácia e tolerância.[8] Mesmo assim, não tome por conta própria: o médico decide se ela serve para você e em qual dose. A decisão sobre o que fazer, incluindo ajustes na medicação que causou o sintoma, cabe ao profissional que acompanha o caso.

Acatisia só acontece com antipsicóticos?

Não. Embora seja mais conhecida como efeito de antipsicóticos, a acatisia também pode aparecer com antidepressivos, especialmente em pessoas com transtorno bipolar[4], e com outros medicamentos que agem no sistema nervoso. O médico avalia todas as possibilidades.

Se você sente inquietação interna que não passa, vontade intensa de se mexer ou dificuldade de ficar parado desde que começou um remédio, não ignore. Esses sintomas têm nome, podem ser reconhecidos e merecem atenção médica. O primeiro passo é conversar com quem prescreveu o medicamento.

Apresentar meu caso

Leia também: conheça o trabalho do Dr. Leandro Simões Abrão em psiquiatria.

As informações contidas neste texto têm caráter estritamente educativo. O treinamento clínico e a experiência de um profissional são necessários para aplicar critérios diagnósticos e diferenciar transtornos de variações normais. Nunca utilize essas informações para autodiagnóstico ou automedicação. Consulte sempre um médico ou um profissional de saúde qualificado.

Referências

Manuais e diretrizes

  1. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th ed., text revision (DSM-5-TR). Washington, DC: American Psychiatric Association Publishing; 2022.

Artigos de revisão recentes

  1. Hauser, Meyer, Factor et al. Differentiating tardive dyskinesia: a video-based review of antipsychotic-induced movement disorders in clinical practice. CNS spectrums. 2022. PMID: 33213556. DOI: 10.1017/s109285292000200x.
  2. Kalniunas, Chakrabarti, Mandalia et al. The Relationship Between Antipsychotic-Induced Akathisia and Suicidal Behaviour: A Systematic Review. Neuropsychiatric disease and treatment. 2021. PMID: 34887662. DOI: 10.2147/ndt.s337785.
  3. Gerolymos, Barazer, Yon et al. Drug Efficacy in the Treatment of Antipsychotic-Induced Akathisia: A Systematic Review and Network Meta-Analysis. JAMA network open. 2024. PMID: 38451521. DOI: 10.1001/jamanetworkopen.2024.1527.

Demais estudos

  1. OPAS/OMS MI-mhGAP Manual de Intervenções 2.0 (2018): Glossário. 2018. Disponível em: https://iris.paho.org/handle/10665.2/49096#glossario
  2. Thippaiah, Fargason, Birur. Struggling to find Effective Pharmacologic Options for Akathisia? B-CALM!. Psychopharmacology bulletin. 2021. PMID: 34421146. DOI: 10.64719/pb.4411.
  3. Salem, Nagpal, Pigott et al. Revisiting Antipsychotic-induced Akathisia: Current Issues and Prospective Challenges. Current neuropharmacology. 2017. PMID: 27928948. DOI: 10.2174/1570159x14666161208153644.
  4. Musco, McAllister, Caudle. Dopamine-receptor blocking agent-associated akathisia: a summary of current understanding and proposal for a rational approach to treatment. Therapeutic advances in psychopharmacology. 2020. PMID: 32922732. DOI: 10.1177/2045125320937575.